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Caso Uniban – O que isso tem a ver com Liderança?

Liderança é o processo de encorajar e ajudar os outros a trabalharem entusiasticamente na direção dos objetivos. É o fator humano que ajuda um grupo identificar para onde ele está indo e assim motivar-se em direção aos objetivos. Sem liderança, uma organização seria somente uma confusão de pessoas e de máquinas, do mesmo modo que uma orquestra sem maestro seria somente músicos e instrumentos. A orquestra e todas as outras organizações requerem liderança para desenvolver ao máximo seus preciosos ativos. (Davis, K. e Newstrom, J. W. – O comportamento Humano no Trabalho – Uma abordagem Organizacional – 1992)

Pode-se iniciar essa discussão com a utilização desta ampla e consistente definição de liderança de Davis, uma vez que o tema está intimamente ligado à prática do assédio moral, pois, onde há um, certamente não existirá o outro.

Sabemos que, ao educar nossos filhos, temos a responsabilidade de equilibrar o discurso e a prática. Não podemos dizer-lhes o que fazer e agirmos em sentido contrário. O mesmo se aplica à liderança. As equipes se espelham em seus lideres, em seu comportamento ético, o que refletirá em atitudes éticas de toda a empresa.

Ser ético na gestão de pessoas é não ser preconceituoso. É não discriminar. É não violentar oral, física ou psicologicamente. É ser tolerante com as diferenças. É respeitar e incentivar a diversidade.

Pensando um pouco nos episódios ocorridos na Uniban com a aluna do curso de Turismo após trajar roupas consideradas ‘inadequadas’, convido o leitor a refletir também:

Não estou defendendo a tolerância a abusos, mau comportamento em sociedade, desrespeito a normas internas ou a outras atitudes inaceitáveis no mundo corporativo. Estou convidando-o a refletir sobre o papel do líder e sobre como suas mensagens estão sendo transmitidas por meio de suas atitudes diárias.

Assédio moral “é todo comportamento abusivo (gesto, palavra e atitude) que ameaça, por sua repetição, a integridade física ou psíquica de uma pessoa, degradando o ambiente de trabalho. São micro-agressões, pouco graves se tomadas isoladamente, mas que, por serem sistemáticas, tornam-se muito destrutivas”.

O episódio Uniban nos convida a pensar em nosso papel de educadores, líderes e pais em uma sociedade que precisa repensar seus valores pessoais. É alarmante pensar que gerações de estudantes estão se formando sem o discernimento de que o respeito às posições de grupos sociais diferentes e/ou minoritários merecem seu espaço na sociedade. Como consultor, como pai e como professor, sei do nosso desafio de desenvolver pessoas (não somente líderes) que tenham uma formação consistente em termos de conteúdo e valores para, de fato, construirmos uma sociedade democrática, madura e sólida, nos valores pessoais e sociais.

* Wilson Roberto Lourenço, sócio diretor da Compass, consultoria que atua há mais de 10 anos em desenvolvimento humano, empresarial, gestão de pessoas, liderança e empreendedorismo.